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ÉTICA, MODA E SUSTENTABILIDADE

É importante ao falarmos de ética, trazermos o que a compõe. Para isso, a ética, ou o éthos, é uma palavra avinda do grego e estuda o comportamento moral do homem na sociedade. Além disso, também temos como significado não só morada, habitat, habitação, como também hábito, conduta e comportamento (onde a raiz etimológica é o éthos), além de atrelar as próprias questões morais.

Sendo assim, todas as ciências que se relacionarem com o desenvolvimento e a estrutura das sociedades humanas, bem como as que investigam o homem como ser social, relacionam-se com a ética. Platão e Aristóteles são dois dos principais filósofos que estudaram a ética, pautadas na ética da alma e na zoopolitikon.

Assim, teríamos um código de ética da moda? Adriane Giannotti Nicodemo, na obra Direito da moda: Fashion Law (2019), afirma que a base ética na moda, não é a lei, mas sim, um indivíduo, poderá ser compelido por normas éticas a não realizar determinados atos, ou sofrer sanção por causa disto.

Pensarmos em moda sustentável, significa pensarmos em uma cadeia produtiva transparente, respeitando todas as normas vigentes no país, ou normas internacionais aplicáveis a sua localidade. Para entendermos melhor, problematizo neste texto, se você, leitor, sabe como a sua roupa é feita, e como ela chega até você.

É provável, que muitos não saibam responder este questionamento, sendo necessário unirmos os seguintes pontos: mão de obra, meio ambiente e matéria prima. Vou me ater apenas a estes, pois temos uma infinidade de temas que caberiam aqui.

No primeiro ponto, a chamada mão de obra, é importante a obediência ao regramento trabalhista, respeitando sempre os parâmetros legais de meio ambiente de trabalho, carga horária, limitação de hora extra, por exemplo. Nem todas as marcas do mundo da moda conseguem obedecer ao que dispõe a OIT (Organização Internacional do Trabalho), por exemplo. Marcas com produções terceirizadas ou quarteirizadas à países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, certamente não possuem o mínimo cuidado com os costureiros[1].

No Brasil, em alguns estados, existem sérios problemas neste sentido, como regiões de produção têxtil em São Paulo (geralmente envolvendo o tráfico de pessoas), ou em cidades na região nordeste, em que vendem-se uma falsa ilusão de que serão donos do próprio negócio[2].

No segundo ponto, em relação ao meio ambiente e a matéria prima, é muito difícil afirmarmos que toda a matéria prima é pura, ou que não há elementos que sejam geneticamente modificados, é necessária uma pesquisa mais a fundo para que se descubra o caminho daquela matéria prima. Um exemplo importante, de matéria prima limpa, é o chamado algodão colorido, produzido no Estado da Paraíba, na região do nordeste brasileiro.

Outro ponto, que merece atenção é a produção de jeans, que se utiliza de muita água, sendo necessário que empresas se utilizem de mecanismos para um menor gasto de água. Nisto, toda a cadeia produtiva precisa ser rastreada, pois o fim da cadeia produtiva, também polui.

Sendo assim, é inegável, que antes de consumir, você busque informações sobre a sua peça, sempre observando o que dispõe a etiqueta. No mesmo modo, existem dois excelentes mecanismos de busca: o aplicativo Moda Livre e o índice de transparência do Fashion Revolution Brasil.

Por fim, reflita, pense em como ressignificar a moda, em como eu posso fazer a minha parte, preservando o meio ambiente e consumindo de forma consciente.

[1] Para isso, indico o documentário: The True Cost. [2] Para isso, indico o documentário: Estou me guardando para quando o carnaval chegar.



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